terça-feira, 24 de março de 2009

Afinidade



Afinidade...


Engraçado isso de ter afinidade com alguém.


As vezes simplesmente paramos e pensamos: "Por que gostamos do fulano (a)"?


E isso vai muito além das concepções românticas que a afinidade tem, é algo que acontece, e não temos como evitar.




AFINIDADE

"A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais
sutil,delicado e penetrante dos sentimentos.

O mais independente.


Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos,as
distâncias, as impossibilidades.

Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação,o
diálogo, a conversa, o afeto, no exato ponto em que foi
interrompido.

Afinidade é não haver tempo mediando a
vida.



É uma vitória do adivinhado sobre o
real.

Do subjetivo sobre o objetivo.
Do permanente sobre o passageiro.
Do básico sobre o superficial.
Ter afinidade é muito raro!


Mas quando existe não precisa de códigos verbais para se
manifestar.

Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece
depois que as pessoas deixaram de estar juntas.

O que você tem dificuldade de expressar a um não afim, sai
simples e claro diante de alguém com quem você tem afinidade.



Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos
mesmos fatos que impressionam, comovem ou mobilizam.

É ficar conversando sem trocar palavra.
É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao
entendimento.



Afinidade é sentir com.
Nem sentir contra, nem sentir para, nem sentir por, nem sentir
pelo.

Quanta gente ama loucamente, mas sente contra o ser
amado.

Quantos amam e sentem para o ser amado, não para eles
próprios.



Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está
sentindo.

É olhar e perceber.
É mais calar do que falar.
Ou quando é falar, jamais explicar, apenas
afirmar.



Afinidade é jamais sentir por.
Quem sente por, confunde afinidade com
masoquismo.

Mas quem sente com, avalia sem se
contaminar.

Compreende sem ocupar o lugar do outro.
Aceita para poder questionar.
Quem não tem afinidade, questiona por não
aceitar.



Só entra em relação rica e saudável com o outro,quem aceita
para poder questionar.

Não sei se sou claro: quem aceita para poder questionar,não
nega ao outro a possibilidade de ser o que é, como é, da maneira que
é.

E, aceitando-o, aí sim, pode questionar, até duramente, se for
o caso.

Isso é afinidade.
Mas o habitual é vermos alguém questionar porque não aceita o
outro como ele é.

Por isso, aliás, questiona.
Questionamento de afins, eis a
(in)fluência.

Questionamento de não afins, eis a
guerra.


A afinidade não precisa do amor.
Pode existir com ou sem ele.
Independente dele.
A quilômetros de distância.
Na maneira de falar, de escrever, de andar, de
respirar.

Há afinidade por pessoas a quem apenas vemos passar, por
vizinhos com quem nunca falamos e de quem nada sabemos.

Há afinidade com pessoas de outros continentes a quem nunca
vemos, veremos ou falaremos.



Quem pode afirmar que, durante o sono, fluidos nossos não
saem para buscar sintomas com pessoas distantes,com amigos a quem não vemos, com
amores latentes, com irmãos do não vivido?



A afinidade é singular, discreta e independente,porque não
precisa do tempo para existir.

Vinte anos sem ver aquela pessoa com quem se estabeleceuo
vínculo da afinidade!

No dia em que a vir de novo, você vai prosseguir a
relaçãoexatamente do ponto em que parou.

Afinidade é a adivinhação de essências não conhecidas nem pelas
pessoas que as tem.


Por prescindir do tempo e ser a ele superior,a afinidade vence
a morte, porque cada um de nós traz afinidades ancestrais com a experiência da
espécie no inconsciente.

Ela se prolonga nas células dos que nascem de nós, para
encontrar sintonias futuras nas quais estaremos presentes.

Sensível é a afinidade.
É exigente, apenas de que as pessoas evoluam
parecido.

Que a erosão, amadurecimento ou aperfeiçoamento sejam do mesmo
grau, porque o que define a afinidade é a sua existência também
depois.



Aquele ou aquela de quem você foi tão amigo ou amado, e
anos depois encontra com saudade ou alegria, mas percebe que não vai conseguir
restituir o clima afetivo de antes,é alguém com quem a afinidade foi
temporária.

E afinidade real não é temporária.
É supratemporal.
Nada mais doloroso que contemplar afinidade morta, ou a ilusão
de que as vivências daquela época eram afinidade.

A pessoa mudou, transformou-se por outros
meios.

A vida passou por ela e fez tempestades, chuvas, plantios de
resultado diverso.



Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças,é
conversar no silêncio, tanto das possibilidades exercidas,quantos das
impossibilidades vividas.
Afinidade é retomar a relação do ponto em que
parou,sem lamentar o tempo da separação.

Porque tempo e separação nunca existiram.
Foram apenas a oportunidade dada (tirada) pela vida,para que a
maturação comum pudesse se dar.

E para que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais,a
expressão do outro sob a forma ampliada e refletida do eu individual
aprimorado."



(Artur da Távola)



Pense um pouco naquelas pessoas com quem você tem afinidade... e dê muito valor à elas, pois isso é RARIDADE!


Fiquem todos na PAZ !!!



1 comentários:

Rigonati disse...

A indireta paira do Ar (:

Olha, uma pessoa que peguei uma incrível afinidade nesses últimos tempos .. vixx ... hehehe quem seria tal pessoa ?!

Beijos :D

VOLTE SEMPRE !!!
 
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